E aí, meus queridos? A temporada de primavera de 2026 já tá sumindo do mapa. Ao longo dela eu fiz uns cinco, seis vídeos por aqui falando das estreias, das surpresas e também daqueles que não foram bem o que a gente esperava. Agora que a maioria já fechou (ou tá fechando), bora fazer aquele balanço de temporada de verdade: revisitar alguns títulos, reforçar ou consertar argumentos, e reconhecer onde eu mudei de ideia.
Não vou enrolar. Direto ao ponto.
O placar da temporada
Antes de detalhar, o resumão de como cada um terminou comigo:
- Nippon Sangoku — 8.5, quase o melhor da temporada
- Witch Hat Atelier — top pra mim, mas com uma ressalva pesada
- Yomi no Tsugai — 8 e pouco, mediano pra bom
- Agents of the Four Seasons — subiu de 6 pra 7.4, salvou no final
- Marriage Toxin — a surpresa boa que eu não esperava
- Kill Blue — surpresa em pura diversão
- Akane Banashi — surpresa nichada que furou a bolha
- Liar Game — a maior decepção
Marriage Toxin — a surpresa que eu não esperava
Começo pelo Marriage Toxin, que nos últimos vídeos eu acabei deixando de lado e que muita gente pediu. E não é um anime pra se jogar fora. Talvez a baixa expectativa que eu tinha no começo até tenha ajudado: eu já sabia da qualidade visual pelos trailers, mas no decorrer ele entregou coisas ainda melhores. A abertura, então, é sensacional — e olha, foi um inscrito do canal que me fez vidrar nessa música, que agora tá na minha playlist. Valeu mesmo!
No geral é aquela mistura de romance, ação, comédia e um filete de drama. A base é simples, quase uma mesmice: o Gero tentando achar uma esposa, conquistando no meio da porrada, e repetindo isso umas quatro, cinco vezes. Só que, por incrível que pareça, não me cansou. Pelo contrário: às vezes pende mais pro romântico, às vezes pra ação pura, e isso mantém o ritmo. Tem clichê e momentos bem absurdos — o vilão final, que era pra ser mega forte, me passou uma imagem de super fraco —, mas o elenco tem carisma e uma construção bacana, e a química do casal te faz comprar o “vão acabar juntos” lá no começo.
Liar Game — a maior decepção da Mad House
Eu esperava do Liar Game um daqueles jogos de estratégia que fazem os neurônios soltarem fumaça. Sei que a Mad House já foi um estúdio gigante, mas vem de uma sequência de problemas internos — saída de gente experiente, questões financeiras — e dá pra sentir.
O personagem que era pra ser o gênio frio e arrogante, num estilo Yagami, mais parece aquele sujeito que se acha o protagonista da própria história — e fica irritante. E a garota, longe de ser só a “ingênua” da sinopse, é ingênua num nível que cansa: cai em qualquer lábia. Aí, lá pros finalmentes da primeira temporada, ela vira a chave do nada — sai de completa inútil pra uma executora brilhante, sem nenhuma transição que faça sentido. Estraga bastante. Sendo justo: tem um ladinho carismático e genuinamente empático nela que segura as pontas, e as estratégias e explicações são os únicos pontos realmente decentes.
O resto? Jesus.
Witch Hat Atelier — talvez o melhor da temporada, mas com um problema sério
Esse aqui dividiu: tem quem ache Witch Hat Atelier infantil demais, e tem quem entrou com expectativa altíssima e se frustrou. Eu gostei bastante — pra mim talvez seja o melhor da temporada. A criatividade desse mundo, das magias e das explicações delas, a fluidez, o cuidado de design até nos mantos, tudo isso em meio a uma animação maravilhosa: foi o que me brilhou os olhos. Me lembrou a sensação de quando criança eu descobri Harry Potter.
Mas eu preciso concordar com uma crítica certeira que rolou nos comentários. A personagem Agot sabota ativamente a protagonista, com total noção de que o risco poderia ser fatal naquele teste da montanha — e não sofre punição nenhuma por isso. E a protagonista, por sua vez, fica sempre correndo atrás da aprovação da Agot. Falta também o teor de perigo: a magia é linda, mas cadê o peso, o risco, o tom mais adulto? E falta os personagens se importarem com as consequências — a mãe da garota fica petrificada, ela dá uma choradinha e segue a vida como se nada fosse. Isso arrancou uma boa fatia da nota.
A magia é linda. Mas cadê o perigo?
Yomi no Tsugai — o que mais dividiu a galera
Yomi no Tsugai foi o anime que mais rachou a opinião do pessoal: bom pra uns, ruim pra outros, mediano pro resto. O argumento mais comum foi que ele é “superestimado” e que não tem 1% da essência de Fullmetal Alchemist. Só que vale lembrar: essa é a terceira obra da Hiromu Arakawa depois de FMA, e ela já fez comédia pura com vibe e animação totalmente diferentes. Cobrar que seja igual a Fullmetal não faz sentido — e ainda bem que não é, senão seria só mesmice.
Não é nenhuma obra perfeita. É aquele anime “fast food”: não exige reflexão, é mais superficial e rápido. E, igual ao Witch Hat, o protagonista não se importa com nada: não busca entender o que aconteceu nem cobrar quem massacrou o povo da vila onde cresceu. Só sai meio desnorteado pra conhecer o mundo. A justificativa pra essa apatia só aparece lá pelos episódios 9 a 11 — tarde demais pra sustentar o personagem. No mais, eu gostei: o balanço ação/comédia funciona, a comédia me fez rir de verdade (coisa rara hoje) e a Tsugai da esquerda é nota 10. Mediano pra bom, uns 8, 8 e pouco.
Agents of the Four Seasons — começou mal, terminou ótimo
Comecei Agents of the Four Seasons mais pelo hype. E logo de cara tive um troço com a protagonista, daquela fala arrastada que soa forçada demais. A trama do meio é esquecível. Em uns 70% do anime a sensação foi de drama forçado, espremendo cada gota de lágrima na marra.
Mas o final vai de zero a 100. As partes emocionais afloram de verdade, as intrigas entre as famílias ganham corpo, os dilemas dos agentes ficam palpáveis. Tem dor genuína ali, alguns temas pesados — abuso, repressão, o segredo do porquê a primavera fugiu. Parece outro anime. Se fosse tudo nesse nível, fácil um 8 ou mais. Subiu de 6 pra 7.4.
Kill Blue — a surpresa em diversão
Kill Blue foi uma das maiores surpresas da temporada no quesito diversão. A animação não é nada demais, mas não importa, porque a comédia funciona. Lembra muito Sakamoto Days — nos últimos episódios quase um decalque, com aquele vai e volta entre forma original e adolescente.
O que eu realmente curti: ele age como um tiozão de verdade, e não fica naquele clichê estranho de querer um harém de garotinhas que infesta tanto isekai por aí. E mesmo sendo um ímã de problema, o cara usa a arma de verdade. A abertura, aliás, é uma das melhores da temporada — alguém da equipe vendeu a alma pra fazer aquilo com tão pouco orçamento.
Akane Banashi — o nichado que furou a bolha
Akane Banashi foi surpresa justamente porque eu não esperava nada. Animação muito bonita e condizente com a trama, protagonista super carismática, e é incrível como conseguiram tornar o Rakugo — aquela arte tradicional japonesa de contar histórias — em algo tão cativante. O começo é muito bom, deu uma mornada em certos momentos, mas no geral, mesmo sendo um tema nichado, ele furou a bolha — provavelmente ajudado por estar inteirinho de graça no YouTube.
Nippon Sangoku — quase o melhor da temporada
Pro meu gosto, Nippon Sangoku é o segundo — quase o primeiro — melhor anime da temporada. A parte artística é forte e presente, com aquela vibe cult de obra que não tem medo de ser diferente porque sabe que isso só eleva a produção. Tem uma beleza em cada personagem e em cada história, e um drama que flutua do mais abrangente ao mais sombrio. Os pontos fortes continuam sendo a forma como ele mostra as formas de governo — como surgem, como caem, como são usurpadas — e as estratégias de guerra e de manipulação de massa: por beleza, por mentira, por falsa acusação.
É tudo com foco extremo e execução belíssima, com mapas e diálogos explicando cada coisa — o que, justiça seja feita, pode cansar quem não curte esse tipo de narrativa, porque é muito mais “papel” do que ação. Um dos momentos mais memoráveis dessa reta final é o comandante Rumon na ponte, articulando uma estratégia psicológica — criaram ali uma tensão de cinema. Subiu de 8.4 pra 8.5.
Foco extremo e execução belíssima — mas é muito mais papel do que ação.
A maratona de romances
Pra fechar, emendei quatro romances em sequência.
O primeiro foi o [CONFIRMAR TÍTULO] (soou como “Koi no Joe Requi” no áudio; da mesma autora daquele romance que você amou). Mais tranquilo, mais voltado pro drama, começa forte e vai ficando repetitivo. O problema é que eu não fui com a cara do protagonista: parece um playboyzinho chato e intrometido. Ainda assim, um bom romance.
O Class 2-banme Kawaii foi o contrário: começa num clichezão tão grande que parece que só trocaram o nome dos personagens. Mas depois entrega uma relação muito boa e diferente — ela vira aquela amiga que vai jogar videogame na casa dele, os dois zoando um ao outro de forma bem informal, escondendo a amizade pra não virar fofoca. Aos poucos vira algo mais profundo, e a forma como eles se conectam foi muito bem transmitida.
O Botan Kamiina me pegou, mesmo eu costumando passar longe de Yuri. Na maior parte do tempo é contemplativo e bonito, com animação aconchegante. E a protagonista é nota 10: fala tudo na lata, fica envergonhada, mas fala — e solta umas frases que são uma maravilha pra quem curte um bom romance.
E o I Want to End This Love Game é o clichê dos clichês — justamente o que eu tinha dropado só de ler a sinopse. A premissa é aquele jogo de infância de “quem disser ‘eu te amo’ primeiro perde”. Mas dei segunda chance: o começo é bobo, só que lá pro final ele entrega exatamente o momento que todo fã de romance espera — inclusive a clássica brincadeira do Pocky.
E aí, qual foi o seu da temporada?
Dava pra continuar falando bem (e mal) de vários outros desta temporada que já se foi. Então bora continuar a conversa: me conta nos comentários quais foram os seus melhores, o que te surpreendeu e o que ficou abaixo do esperado. E se quiser o recap completo de qualquer um desses, é só pedir lá no canal.